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A comunidade do bairro Ribeirão da Anta, de Tapiraí/SP, possui belezas naturais de uma região cercada pela Mata Atlântica, composta de cachoeiras, fauna e flora exuberantes, além de uma cultura riquíssima, que a torna um ponto turístico. No local, é possível encontrar peças de artesanato diversas, como cestos, balaios, peneiras e esteiras feitas pelas mãos de quem ali vive. Existe, também, um monjolo com mais de 50 anos, utilizado para a produção de farinha.

Garantir os direitos territoriais, socioeconômicos, ambientais e culturais da comunidade do bairro Ribeirão da Anta, de Tapirái/SP, respeitando e valorizando sua identidade, foi o objetivo do Legado das Águas quando iniciou um trabalho de levantamento histórico e cultural local com o objetivo de empoderar a comunidade para que ela se veja como tradicional e explore seu potencial, inclusive turístico.

Ali vivem cerca de 20 pessoas. Mas, aos finais de semana, a população aumenta, pois os filhos e netos vêm visitar os mais velhos que lá habitam. A história da comunidade do Ribeirão da Anta teve início na década de 1930, quando Gumercindo Alves deixou Ibiúna e se embrenhou na mata até se estabelecer ao lado de um ribeirão que recebia a visita de muitas antas que lá chegavam para matar a sede. Depois, ele trouxe a mulher, Mariana. Juntos, tiveram nove filhos. Oito deles ainda estão vivos e posteriormente tiveram filhos e netos. Hoje, a família tem cerca de 150 descendentes – a maioria mora e trabalha em Tapiraí.

Um dos objetivos do trabalho do Legado das Águas com essa comunidade, nos últimos dois anos, foi fazer com que o Legislativo, o Conselho de Turismo e a própria Prefeitura de Tapiraí os reconhecessem como uma comunidade tradicional. Deu certo. Desde 2015, em 5 de outubro, comemora-se o Dia do Ribeirão da Anta.

E, melhor: ao longo de 2016, houve vários avanços. Um deles foi a recuperação de uma área que permitiu que os moradores do Ribeirão da Anta voltassem a ter acesso à água. O outro foi a reforma, em parceria com a Prefeitura de Tapiraí, do antigo prédio da escola para a reconstrução do Centro de Tradições do Ribeirão da Anta. O Legado cedeu os materiais e a Prefeitura ofereceu a mão de obra.

Desde 2017 a Comunidade está aberta à visitação. Com isso, os visitantes podem conhecer melhor a história da região e levar para casa cestos, balaios, peneiras e esteiras feitos pelas hábeis mãos de quem ainda ali vive.

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O Legado das Águas recebeu em novembro de 2018, na Câmara Municipal de Tapiraí (SP), um Título de Reconhecimento Público pela contribuição da Reserva no desenvolvimento econômico e socioambiental aliado à conservação da Mata Atlântica no município e em todo Vale do Ribeira. A homenagem é resultado do trabalho realizado pelo Legado das Águas, por meio de programas e projetos em parceria com o município de Tapiraí desde 2013.

Na ocasião a Reserva também lançou um livro sobre a Comunidade Cabocla do Ribeirão da Anta. O material reúne o resultado do trabalho com essa comunidade, que acontece desde 2014. “Os moradores da comunidade foram muito generosos em compartilhar suas histórias conosco. O livro é um fruto dessa parceria, reunindo o resgate histórico e cultural do Ribeirão da Antas. É um marco não só para própria comunidade, como para o Estado de São Paulo, porque é um registro da identidade paulista, que tem muito da cultura cabocla e que está se perdendo. Para o Legado das Águas foi uma honra poder testemunhar o respeito e união presente nessa comunidade”, diz David Canassa, diretor da Reservas Votorantim.

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