Turismo Ecológico: conscientização e fomento para a sustentabilidade

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Foto: Andrei Pires

Hoje, dia 1º de março, comemora-se o Dia Nacional do Turismo Ecológico. Mas, afinal, você sabe o que é e quais são as características deste segmento?

De acordo com as diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, elaborada em 1994 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), o ecoturismo pode ser definido como:

um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações (MMA; EMBRATUR, p.19, 1994).

Portanto, podemos sintetizar esse segmento como o responsável por gerar uma conexão maior entre o ser humano e a natureza e, logo, nutrir uma sensibilização acerca da importância da conservação do meio ambiente, bem como promover atitudes sustentáveis nas pessoas. 

Atualmente, o ecoturismo é o ramo turístico que mais se desenvolve no mundo. A Organização Mundial do Turismo estima que, anualmente, o setor convencional tenha um aumento de 7,5%, enquanto o ecoturismo cresce de 15 a 25%. 

Esse progresso tem ligação com o aumento da consciência ambiental da população. Segundo o Caderno de Educação Ambiental – Ecoturismo, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo, nas “últimas décadas do século XX, os turistas passaram a se relacionar de forma diferente com o local visitado, buscando ambientes naturais conservados e um maior envolvimento com as comunidades locais”.

Para Ricardo Borges, engenheiro florestal da Grande Reserva Mata Atlântica, essa conexão entre os cidadãos e a natureza é fundamental para estimular a valorização das florestas do país. “Os brasileiros precisam ter orgulho dos ambientes naturais e das culturas únicas que temos aqui. Isso precisa ser um valor compartilhado pela sociedade”.

 

Características do Turismo Ecológico

O turismo ecológico engloba três temas essenciais: desenvolvimento sustentável, educação ambiental e envolvimento das comunidades locais. Neste contexto, Ricardo aponta que uma característica do segmento é proporcionar atividades de imersão à natureza, cujos atrativos são as belezas naturais, a fauna e a cultura da região. 

Pietro de Oliveira Scarascia, mestre em sustentabilidade na gestão ambiental, gestor do Parque Estadual Carlos Botelho e consultor do Instituto Manacá, acrescenta que para possibilitar essa ligação do homem com o meio natural é preciso oferecer uma boa interpretação sobre o assunto. “O turismo ecológico deve envolver a interpretação da biodiversidade, seja por meio da fauna, flora, relevo, hidrografia ou questões climáticas. Ele deve ter uma pegada de ensino e instrução, de forma que prenda a atenção do turista e faça-o retornar à área ou levar novas pessoas para conhecer o lugar”, enfatiza. 

Levando em consideração a importância das orientações em torno do ecoturismo, um desafio desse nicho é fazer a implantação das atrações. Além de pensar na maneira como a explicação dos temas será realizada, é essencial lembrar-se da preservação do local. “As atividades ecoturísticas não podem ser danosas ao meio ambiente. Se você tem um turismo ecológico sendo realizado em massa, você acaba destruindo o local e o motivo das pessoas estarem indo ali. Então, a principal preocupação e desafio é ordenar as atrações e ter infraestrutura para manter o controle das visitas”, esclarece Ricardo. 

 

Contribuição do Legado das Águas para o Turismo Ecológico

Com 31 mil hectares, o Legado das Águas representa quase 1% de toda a Mata Atlântica existente no estado de São Paulo. Além disso, possui 75% de sua área em alto estágio de conservação, abrigando espécies da fauna e flora que estão ameaçadas de extinção como, por exemplo, o Muriqui-do-Sul, maior primata das Américas. 

Em relação à flora, das 956 espécies de plantas catalogadas no Legado, 9 correm risco de desaparecerem na natureza.

Além da proteção dos animais e plantas, o Legado das Águas busca incentivar os projetos da região do Vale do Ribeira, local onde está inserido. Dentre eles estão: a Associação Rural Comunitária de Promoção Humana e Proteção à Natureza (ARCPHPN), organização de agricultura familiar de Miracatu, a Associação dos Apicultores do Vale do Ribeira (Apivale), grupo de produtores regionais de mel, e a Banarte, uma associação de mulheres artesãs que fazem peças a partir da fibra da folha de bananeira.

 

Venha se aventurar pelo turismo ecológico no Legado! Estamos prontos para fazer você se sentir parte do meio!

 

* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdo para o Legado das Águas.

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