Pesquisa e Inovação – Flora

Orquidário

Coleção viva<br />
de espécie

Coleção viva
de espécie

Banco genético<br />
vegetal

Banco genético
vegetal

Recuperação<br />
de espécies

Recuperação
de espécies

Educação<br />
ambiental

Educação
ambiental

O Orquidário do Legado das Águas foi criado em 2016 com o apoio do biólogo Luciano Zandoná. Na Reserva, vem sendo realizado um projeto que consiste no resgate de orquídeas, consideradas espécies raras, que caem naturalmente das árvores, e morreriam se permanecessem no chão da floresta.

As orquídeas, após o resgate, são tratadas no orquidário e realocadas em árvores ao longo das trilhas presentes no Legado.

190 espécies já foram catalogadas. Este número é um recorde para a região. Até o momento dez espécies encontradas estão em listas vermelhas de flora ameaçada de extinção em categorias variadas e uma está extinta na natureza. São espécies com flores que vão de menos de dez milímetros até cerca de 15 centímetros.

As orquídeas são um importante indicador de qualidade das florestas, uma vez que dependem de diversos fatores para se estabelecerem: a associação com fungos para a obtenção de nutrientes necessários à germinação de suas sementes; polinizadores específicos para a fecundação das flores; e condições ambientais específicas, como umidade, temperatura e luminosidade, que só são encontradas em florestas maduras e bem conservadas.

As orquídeas encontradas no Legado dificilmente são encontradas em jardins por serem nativas, sendo raras mesmo em coleções públicas e particulares de conservação. As espécies vendidas em mercados, geralmente, são exóticas ou híbridas (combinação de duas ou mais espécies).

Além do ponto de vista ambiental, esse projeto tem, também, um papel importante referente à conscientização sobre a relevância desse grupo de plantas. Futuramente o trabalho do Orquidário dará subsídios para a produção de mudas que possivelmente poderão ser comercializadas.

Próximos passos

Considerando o potencial de conservação do Legado das Águas, é continuar com o levantamento florístico de orquídeas e a reprodução de algumas espécies, com foco em sua conservação. Também há o objetivo de iniciar um programa de micropropagação (produção rápida de milhares de indivíduos de uma espécie) para fornecer mudas para a reintrodução das espécies no habitat e, no médio prazo, iniciar um trabalho de engajamento com as comunidades do Vale da Paraíba, focado na conservação da espécie.

Matrizes da Mata Atlântica

No Legado das Águas, as matrizes de plantas da Mata Atlântica são estudadas. É um trabalho pioneiro de pesquisa aplicada que, em breve, poderá dar origem a várias aplicações.

Um dos principais objetivos da pesquisa é buscar, dentre outros pontos, proteínas que possam ter interesse comercial para serem aplicadas na indústria farmacêutica, de cosméticos, entre outras.

Já foram sequenciados o DNA de 57 plantas nativas. Com isso, está montado o maior banco de dados digital da Mata Atlântica!

Conservação de Reserva Legal

Pesquisa e Inovação – Fauna

Ictiofauna

A chamada ictiofauna também está sendo estudada no Legado. A pesquisa, a cargo de Fernanda Tonizza Moraes, teve início em agosto de 2016 e tem como objetivo conhecer melhor os peixes que habitam os rios, córregos e represas da reserva. “A bacia do Rio Juquiá é muito rica em peixes. No entanto, também há muitas espécies invasoras, como a piranha e os peixes nativos do Pantanal e do Cerrado”, conta a pesquisadora.

No momento estão sendo feitos vários estudos para que, daqui a alguns meses, decida-se o que poderá ser feito com relação à pesca. “Com certeza, o manejo será feito de forma a não prejudicar as espécies nativas”, finaliza Fernanda.

Onças

Com o objetivo de estudar a ecologia das onças e utilizá-las como ferramenta de conservação da floresta, o Legado das Águas, em parceria com o Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros, desenvolve desde 2014 um projeto para o monitoramento, estudo e conservação de grandes felinos ameaçados de extinção, considerados essenciais ao equilíbrio da cadeia alimentar.

Além das onças, parda (Puma concolor) e pintada (Panthera onca), o projeto vem registrando a presença de outras espécies ameaçadas de extinção, como o cachorro-vinagre (Speothos venaticus).

Localizar esses animais nos limites da Reserva e compreender melhor como eles se relacionam com o ambiente e mesmo com a população humana que ali habita são algumas das tarefas dos pesquisadores do Pró-Carnívoros, que vêm trabalhando no levantamento, avaliação e monitoramento dos predadores de topo de cadeia.

“A ideia é usar a onça como ferramenta de conservação da biodiversidade na Mata Atlântica. Como as onças precisam de uma base de presas estável, podem ser consideradas indicadora da diversidade e qualidade ambiental das áreas que habitam”, conta Sandra Cavalcanti, doutora em Ecologia e Conservação de Fauna Silvestre e presidente do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros

Considerada rainha das florestas brasileiras, a onça-pintada é alvo de caça em muitas das comunidades próximas às florestas e está entre os principais símbolos de campanhas pela preservação da biodiversidade. A extinção do felino, que faz parte do topo da cadeia alimentar da Mata Atlântica, poderá causar um grande desequilíbrio ambiental. “Conservando as onças, você conserva, indiretamente, as demais espécies das quais elas dependem para sua sobrevivência. Elas têm um papel ecológico muito importante e sem sua presença há uma desestruturação do ecossistema”, afirma Sandra.

A equipe de pesquisadores inicia o trabalho com o levantamento das espécies por meio de armadilhas fotográficas. Atualmente, a equipe vem tentando capturar indivíduos de onça para equipá-los com radiocolares GPS/Satélite, equipamentos esses que permitirão o monitoramento intensivo dos animais dentro da Reserva, permitindo aos pesquisadores saber por onde andam, como se alimentam, e como vivem. Estudos recentes revelam que restam apenas cerca de 300 onças-pintadas no bioma Mata Atlântica, entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Aves

Em parceria com a Sustentar Meio Ambiente foi desenvolvido, de setembro a dezembro de 2016, um projeto de catalogação de aves. A iniciativa, que visa nortear a implantação da atividade de observação de aves no Legado, foi liderada pelos biólogos Wagner Nogueira, Luciano Lima e Rafael Bessa, que registraram 286 espécies de aves na Reserva, número que representa 36% da avifauna conhecida em todo o Estado de São Paulo. Destas, 33 estão ameaçadas de extinção.

Das espécies registradas até o momento, 41% só existem na Mata Atlântica. Este dado ganha ainda mais relevância quando se tem em mente que apenas cerca de 10% da Mata Atlântica original ainda se mantém preservada. “O Legado possui uma parcela considerável de sua área coberta por florestas primárias, ou seja, florestas que nunca foram desmatadas e se encontram em estado quase intocado. Este excelente estado de conservação ambiental é a chave para a ocorrência de diversas espécies raras e ameaçadas, não somente de aves, como de toda fauna e flora em geral”, conta Wagner Nogueira, Biólogo Ornitólogo da Sustentar Meio Ambiente.

A composição das espécies existentes no Legado das Águas chama atenção. Muitas delas são as mais desejadas pelos observadores de aves que visitam a região, como o uru (Odontophorus capueira), o sabiá-cica (Triclaria malachitacea), a choquinha-cinzenta (Myrmotherula unicolor), a choquinha-pequena (Myrmotherula minor), o não-pode-parar (Phylloscartes paulista), a maria-pequena (Phylloscartes sylviolus), o tropeiro-da-serra (Lipaugus lanioides), o corocochó (Carpornis cucullata), o sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala) e diversos outros.

Sempre que possível é realizada a documentação dos registros das aves através de fotos e gravações, utilizando câmeras e gravadores digitais. Estas documentações servem como comprovações da ocorrência das espécies e também permitem a verificação das identificações.

O projeto Observação de Aves é mais uma oportunidade para responder a diversas questões sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e, assim, gerar subsídios para a conservação das espécies, dentro e fora da Reserva. Futuramente, a proposta é tornar o projeto acessível ao público, permitindo a visitação de observadores de aves e de adeptos do turismo de natureza ao local. “Além disso, a observação de aves é uma importante ferramenta para educação e sensibilização ambiental”, finaliza. Wagner

Borboletas

O Legado possui um levantamento da fauna de borboletas em sua área, no Vale do Ribeira.

A pesquisa, iniciada em setembro de 2016, consistiu em quatro etapas de trabalho de campo para obter amostragens das espécies que vivem na área da Reserva. A última delas foi realizada em abril de 2017. O trabalho é feito de duas formas: na primeira, chamada de amostragem ativa, os pesquisadores utilizam uma rede própria para pegar borboletas para captura e reconhecimento das espécies, percorrendo trilhas e estradas em busca das borboletas durante seis dias consecutivos.

Já na segunda, chamada de amostragem passiva, são colocadas em seis áreas, 34 armadilhas com iscas compostas por banana e garapa fermentadas, atrativas para borboletas frugívoras (que se alimentam de frutas fermentadas). As armadilhas são revisadas diariamente e as borboletas são marcadas, registradas em caderneta de campo e soltas. Quando não é possível a identificação em campo, elas são levadas para identificação em laboratório.

A pesquisa resultou no registro de 182 espécies, mas é estimada uma riqueza muito maior para o Legado das Águas. Algumas espécies de borboletas são indicadores de boa qualidade de vegetação e conservação e, para a Dra. Laura Braga, bióloga responsável pelo levantamento, o ambiente do Legado oferece condições especiais para a conservação de borboletas.  “O Legado representa um fragmento de Mata Atlântica essencial para a manutenção das populações de espécies silvestres, fornecendo, assim, informações importantes para a comunidade científica sobre comportamento, interações ecológicas, padrões de distribuição espacial e temporal, entre outras áreas do conhecimento ecológico”, disse.

Antas

No Legado hoje é realizado, em parceria com o Instituto Manacá, de São Miguel do Arcanjo (SP), um projeto de conservação das antas no Vale do Ribeira. A pesquisa mapeia os fatores de ameaça, analisa a ocupação da espécie e obtêm dados ecológicos e comportamentais. O objetivo do projeto é elaborar um protocolo de monitoramento da área e colaborar com a execução das metas de um Plano de Ação para a Conservação da Anta. Os trabalhos começaram em agosto de 2016 e têm previsão de pelo menos dois anos.

A equipe realiza expedições mensais para a região. Foram instaladas 20 armadilhas fotográficas e a cada visita os especialistas seguem trilhas em busca de vestígios (rastro e fezes) dos animais. Nos sete primeiros meses, foram percorridos 394 quilômetros nas trilhas da área de estudo. As câmeras são realocadas mensalmente, quando há troca dos cartões de memória e pilhas. Os vídeos e fotos são compilados para análise posterior.

Segundo a gerente da Reservas Votorantim, Frineia Rezende, a pesquisa possibilita obter informações importantes para o planejamento de ações que auxiliem na proteção do mamífero. “A parceria com o Instituto Manacá é oportuna para aprofundar as pesquisas na Mata Atlântica e contribuir para o equilíbrio do bioma. O Legado das Águas oferece condições favoráveis para o estudo da espécie – que possui alta relevância ambiental, científica e conservacionista – e pode trazer uma nova perspectiva na conservação dessa espécie tão importante”.

Perigo de Extinção – A anta é o maior mamífero terrestre brasileiro e está em perigo de extinção na Mata Atlântica. De acordo com levantamento feito em 2012, existem 33 populações da espécie no bioma, mas apenas três delas são consideradas viáveis, ou seja, com mais de 200 indivíduos. Por possuírem um ciclo reprodutivo longo, com 13 a 14 meses de gestação com apenas um filhote por ciclo, a espécie é muito vulnerável a pressões antrópicas, possuindo uma baixa capacidade de resiliência

A anta exerce uma importante função no ecossistema, moldando a estrutura e função da paisagem e do ambiente em que ocorre. É uma importante dispersora e predadora de sementes, em especial, para as espécies de plantas que possuem sementes grandes que não são dispersas por pequenos animais. Além disso, devido ao alto consumo de plantas, afeta o ciclo de nutrientes das florestas. A redução de suas populações pode desencadear alterações significantes nos processos ecológicos.

“As antas são mamíferos que podem chegar a 300 quilos e necessitam de áreas grandes e bem preservadas para sobreviver. Poucos são os locais que podem oferecer recursos suficientes para manter uma população viável, permitindo assim a sua existência em longo prazo. A redução da Mata Atlântica contribuiu fortemente para o atual estado de conservação da espécie, e as poucas populações remanescentes ainda sofrem com a caça e outras pressões antrópicas”, afirma a presidente do Instituto Manacá, Mariana Landis.

Para ela, o Legado das Águas é um local promissor para a manutenção da espécie ameaçada. “O Legado representa uma área de alto potencial para a conservação da espécie, já que, além da qualidade florestal e fiscalização intensa, há interesse para a aplicação de medidas efetivas que favoreçam a sobrevivência da espécie em longo prazo”, conclui.

Anta albina – O Legado das Águas abriga um indivíduo macho de anta albina, único registrado em seu habitat natural no Brasil.

O “Gasparzinho”, como carinhosamente é chamado, já foi destaque no Fantástico, da Rede Globo! Assista!

Muriqui

Em parceria com o Instituto Pró-Muriqui, o Legado realiza um importante estudo para conservação dos macacos muriquis – os maiores primatas não humanos das Américas. Vítimas de caça desde a década de 1960, as duas espécies, muriquis-do-sul e muriquis-do-norte, estão criticamente em perigo de extinção, sobretudo após a destruição do seu habitat: a Mata Atlântica.

Desde de 2013, o Projeto Muriquis do Legado realiza um levantamento e monitoramento demográfico e avalia o estágio de conservação das espécies, consideradas “jardineiros da floresta”. Eles habitam as partes mais altas da mata e se alimentam de frutos. Por se deslocarem muito, soltam por onde andam, com suas fezes, sementes de várias espécies. Com o tempo, essas sementes germinam e dão origem a novas árvores, que, por sua vez, no futuro, irão alimentar e servir de locais de descanso e interações social de novos muriquis.

“Além do monitoramento da população da espécie primata, queremos a consolidação da Reserva como uma das prioridades nacionais de pesquisa e conservação”, diz o Professor Doutor Mauricio Talebi, do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (Campus Diadema), que conduz o Projeto Muriquis do Legado.

Monitoramento – Para que o estudo seja feito, o dia começa cedo no Legado das Águas. A equipe do Pró-Muriqui entra na mata às 6h da manhã e fica o dia todo em busca dos grupos sociais de muriquis. “Monitoramos quais são as espécies vegetais que fazem parte da alimentação dos muriquis e o quanto eles conseguem disseminar essas sementes. Assim, aumentamos as chances de encontrá-los”, explica Talebi

Após serem encontrados, é realizada uma coleta de dados em ecologia e comportamento da espécie, que são georeferenciados e auxiliam no estudo da área do Legado para descobrir como vive em seu cotidiano este fascinante exemplar da fauna nacional.

Extinção – Atualmente, em todo o Brasil, existem cerca de 1.200 muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides), que só existem no sul do Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná. Cerca de 100 desses indivíduos provavelmente habitam o Legado das Águas. Há ainda 1.100 muriquis-do norte (Brachyteles hypoxanthus), que sobrevivem no que restou da Mata Atlântica entre Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.

“A área onde o Legado está inserido é extremamente relevante para o estudo dos muriquis, pois é uma parte importante da rica Mata Atlântica, atuando como um refúgio florestal para espécies que foram afugentadas pelas atividades humanas. Temos aqui em São Paulo, atualmente, a maior população de muriquis no Brasil. É uma oportunidade única para estudar esses animais”, ressalta o professor Talebi.

Herpetofauna

O Legado das Águas, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, trabalha na identificação da fauna Herpetológica – ramo da zoologia que estuda os anfíbios e répteis – na região de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira.

O objetivo da ação, além de conhecer as peculiaridades desses animais, é informar a população sobre como agir em caso de acidentes com serpentes, comuns na região, reforçando quais devem ser os primeiros socorros nessa situação, além de orientar sobre o papel das cobras na natureza, o manejo correto e a prevenção de acidentes.

“A partir do conhecimento da herpetofauna da área, a população pode ser informada sobre as principais espécies, as mais comuns, as peçonhentas e a importância da conservação de espécies para o ecossistema. Além de orientar sobre a melhor conduta em caso de acidentes”, afirma Giuseppe Puorto, especialista em serpentes e Diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan.

De acordo com a gerente da Reservas Votorantim, Frineia Rezende, o desejo de elaborar um trabalho voltado especificamente para o reconhecimento e trato de répteis e anfíbios na região do Legado das Águas é antigo. “O Legado das Águas está inserido em uma região onde os municípios são privilegiados pela Mata Atlântica, sendo comum a convivência com animais diversos inerentes a esse bioma. Junto com o Instituto Butantan, conseguimos prestar mais um serviço à ciência e à população, informando sobre o tema e esclarecendo mitos e dúvidas com especialistas sobre o assunto”.

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