Orquídea centenária encontrada no Legado das Águas começa a florescer

O trabalho com as orquídeas, realizado pelo pesquisador Luciano Zandoná no Legado das Águas, tem conseguido resultados importantíssimas para o estudo desse grupo peculiar. O projeto consiste no resgate de indivíduos que caem naturalmente das árvores, e que morreriam se permanecessem no chão da floresta. Após o resgate, as orquídeas são tratadas em um orquidário e realocadas em árvores ao longo das trilhas presentes no Legado.

No decorrer de 9 meses de estudos constantes, um fato inusitado: Uma orquídea de aproximadamente 100 anos foi resgatada da mata após a queda de uma árvore. O indivíduo encontrado media mais de cinco metros e tinha cerca de 1300 ramicaules ou brotações, por isso a estimativa em ser uma planta centenária. Foi resgatada em duas etapas, na primeira, foi removida a menor parte, com aproximadamente dois metros de comprimento e cerca de 500 ramicaules.

Após o resgate, parte da planta foi realocada em uma trilha dentro da Reserva, outra parte, menor, foi incluída no Orquidário para estudos, propagação e ‘ferramenta’ de educação para conservação. No final de setembro, após meses de intenso cuidado, a orquídea começou a florescer. “A floração plena é resultado da boa recuperação da planta que já emitiu dezenas de novos brotos com muitas raízes novas e segue se desenvolvendo bem”, conta Zandoná.

Ainda de acordo com o pesquisador, os próximos passos da pesquisa, considerando o potencial para conservação do Legado das Águas, é continuar com o levantamento florístico de orquídeas e a reprodução de algumas espécies, com foco em sua conservação. Em menos de um ano, mais de 150 já foram catalogadas – um recorde para o Vale do Ribeira. Entre elas, seis ameaçadas de extinção. São espécies variadas com flores que vão de menos de dois milímetros até cerca de 15 centímetros.